A ideia era resgatar histórias de horror escritas por autores brasileiros. Um levantamento feito durante quinze anos pelos pesquisadores Júlio França e Oscar Nestarez, organizadores da obra, resultou, inicialmente, no site Tênebra. E assim nascia a base para Tênebra: Narrativas brasileiras de horror [1839-1899].
Reunindo 27 narrativas produzidas em um período de 60 anos, a coletânea traz autores como Machado de Assis, Olavo Bilac, Júlia Lopes de Almeida e Aluísio Azevedo, algumas das presenças célebres que demonstram a prática do gênero horror em solo nacional.
No conto Sem Olhos, de Machado de Assis (1839-1908), o casal Vasconcelos recebe amigos para tomar um chá. O assunto acaba caindo em aparições sobrenaturais, quando o desembargador Cruz, em um relato alegadamente verídico, conta que, quando jovem, deparou-se com a presença fantasmagórica de uma mulher cujos olhos foram arrancados pelo marido ciumento.

Machado de Assis, Júlia Lopes de Almeida e Aluísio Azevedo estão presentes na coletânea (Divulgação/Reprodução)
Já em Consciência Tranquila, de João da Cruz e Sousa (1861-1898), um rico senhor de escravos está prestes a morrer. E eis que começa a recapitular sua vida, descrevendo os horrores cometidos contra os negros que mantinha em cativeiro. O sombrio conto mostra que, além de expoente da poesia simbolista, Cruz e Sousa lidou com o gênero horror no Brasil do século 19.
Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), por sua vez, em seu conto A Nevrose da Cor, apresenta Issira, sedutora princesa do Antigo Egito obcecada pela cor vermelha. A atração é tanta que ela passa a beber sangue, no que seria uma das primeiras histórias com elementos vampirescos de que se tem registro no Brasil.
Outro autor presente – e outro poeta, desta vez do parnasianismo – é Olavo Bilac (1865-1918), narrando uma traição conjugal seguida de assassinato em O Crime de Otávio. Também comparece o romancista e poeta Aluísio Azevedo (1857-1913), com O Impenitente, sobre as mazelas de um frade pecador.
Tênebra: Narrativas brasileiras de horror [1839-1899]

Tênebra: Narrativas brasileiras de horror, organizado por Júlio França e Oscar Nestarez
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Dessa forma, Tênebra mostra que o célebre livro Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo (1831-1852), também poeta, não foi um caso isolado. A ficção brasileira do século 19 não se restringiu ao romantismo, ao realismo e outros movimentos reconhecidos pela historiografia literária tradicional.
Nesse sentido, histórias sobre feiticeiras, cometas apocalípticos, florestas encantadas, fantasmas, homens possuídos, monstros flamejantes, vampiras e outros personagens escabrosos resgatam um panorama dos que rompiam convenções buscando provocar prazer estético com o medo.
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