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Cinema

‘M3GAN’ acerta em não se levar a sério, mas pode desagradar fãs de terror

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'M3GAN' acerta em não se levar a sério, mas pode desagradar fãs de terror

Se você não exige muita precisão de um roteiro de filme de terror, e gosta do gênero, possivelmente apreciará ver M3GAN (M3GAN, 2022). Com argumento de James Wan e dirigido pelo neozelandês Gerard Johnstone, em seu segundo trabalho como diretor, o filme é uma aposta da Universal Pictures para a temporada de início de ano.

Mescla de ficção científica, suspense e terror, o longa-metragem conta a história de Gemma (Allison Williams), uma engenheira robótica que utiliza sua sobrinha órfã, Cady (Violet McGraw), como parte dos testes para um protótipo de boneca-robô chamado M3GAN (Amie Donald), abreviatura do inglês Model 3 Generative AN-droid.

De saída, M3GAN desenvolve uma boa relação com Cady, fazendo companhia para a menina e até aprendendo com ela dancinhas ao estilo TikTok. A reviravolta se dá quando a robô altera seu próprio código de IA (Inteligência Artifical) e desata a exterminar pessoas, voltando-se, inclusive, contra a própria criadora.

A história, que seria, essencialmente, um alerta sobre o mal uso de IA, não tem nada de muito original. Acaba por se configurar como uma versão adolescente e de shopping do excelente Ex Machina: Instinto Artifical (2014), misturado com Annabelle (2014).

A nova boneca-robô tem se mostrado um sucesso de bilheteria (Divulgação/Reprodução)

A nova boneca-robô tem se mostrado um sucesso de bilheteria (Divulgação/Reprodução)

Diferente, porém, da boneca Annabelle, cujo terror emerge do sobrenatural, o terror de M3GAN surge dos algoritmos da boneca-robô. Três leis da robótica de Isaac Asimov? Que nada. O serzinho sintético de 1,20 m de altura passa longe disso. E já há quem sonhe com um crossover de M3GAN saindo na porrada com Annabelle.

Com um ritmo que às vezes fica um pouco lento, apesar dos falhas o filme, desde o princípio, não se leva a sério. Isso acaba sendo um acerto para quem quer, simplesmente, assistir a um filme de terror que poderia ser exibido numa sessão da tarde.

Em algumas cenas, M3GAN canta para o interlocutor, proporcionando momentos de um quase musical bizarro. Em termos musicais, entretanto, nada é tão divertido quanto ouvir a androide tocando piano e cantando, na penumbra, a canção Toy Soldiers, originalmente lançada pela cantora Martika em 1988.

A passagem, em que a robô surpreende sua criadora com dotes musicais, lembra uma cena de Entrevista com o Vampiro (1994), em que o vampiro Lestat, anteriormente macerado e largado num pântano para morrer, surpreende seus traidores, recepcionando-os ao som do piano.

M3GAN e Cady fazem pensar sobre IA substituindo humanos (Divulgação/Reprodução)

M3GAN e Cady fazem pensar sobre IA substituindo humanos (Divulgação/Reprodução)

Já em outro momento de M3GAN, vemos uma cena de atropelamento de criança, que lembra, ainda que vagamente, uma cena-chave de O Cemitério Maldito (1989), este sim um verdadeiro clássico do terror trash.

A despeito dos acertos pontuais, M3GAN pode desagradar os fãs mais raiz de terror, já que economiza na hora de mostrar os assassinatos diante das câmeras e, igualmente, na hora de jorrar sangue cenográfico. Tudo para manter a classificação indicativa de 14 anos, claro.

Apesar dos pesares, o filme da nova boneca-robô assassina – que também tem sido comparada ao Chucky – pode ser uma experiência divertida do bom e velho cinema-pipoca. Afinal, se está longe de ser um filmaço, M3GAN está a igual distância de ser um péssimo filme.

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De muito mais mau gosto e assustadoras – no pior sentido da palavra – são mesmo as dancinhas do TikTok.

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