Conecte-se

Artigos

‘Matrix’: mais que um filme, uma obra de arte atemporal

Publicado

|

‘Matrix’: mais que um filme, uma obra de arte atemporal

Às vésperas da estreia de Matrix Resurrections (2021), não pude deixar de refletir sobre o impacto causado na cultura pop por tão bem-sucedida franquia. E voltei ao fim dos anos 90, quando estreava nos cinemas um filme chamado Matrix (1999), dirigido pelos irmãos Wachowski (hoje irmãs Wachowski). Uma obra de ação e ficção científica que misturava visual cyberpunk (veja o anime Ghost in the shell para conferir a “inspiração” do visual) e filosofia (como o mito da caverna, de Platão).

Mas não só isso, já que enriquece a mescla com literatura (Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll), cenas de kung fu, tiroteios intensos, guerra contra as máquinas e a ideia de compreender a realidade ao nosso redor. O que nos leva à questão mais importante: como podemos distinguir o mundo real do mundo dos sonhos?

Humanos versus Máquinas

O precursor de Matrix Resurrections parte da ideia de que a humanidade trava uma longa guerra contra as máquinas, que tem início algum tempo após o desenvolvimento da inteligência artificial criar toda uma nova raça de máquinas que passaram a ver os seus criadores (nós humanos) como ameaça – ou seria o contrário?

Dessa guerra resultam algumas trágicas consequências, como a perda de muitas vidas humanas e, inclusive, a destruição do céu (escurecimento da atmosfera), que impossibilitou as máquinas de usarem a luz do sol como fonte de energia. E é aí que os problemas começam.

O primeiro problema seria que as máquinas tiveram que encontrar outra fonte de energia. O segundo problema é que os humanos poderiam ser esta fonte de energia. O que, como diria Atila Iamarino, “não faz nenhum sentido biológico”, pois se gasta muito mais energia para fazer um ser humano do que a energia que um corpo humano é capaz de produzir. O roteiro do filme até menciona que as máquinas usam a energia proveniente dos cérebros humanos combinada a uma forma de fusão e, assim, conseguiriam toda a energia de que precisavam.

No entanto, ignorando esse problema de física básica, pois vai contra a lei da entropia, o filme funciona muito bem. Para manter os humanos escravizados, funcionando como baterias para as máquinas, a Matrix foi criada. Um sistema de realidade virtual neurointerativa que mantém os humanos em uma espécie de sonho coletivo. Ou, simplesmente, uma simulação da realidade projetada pelas máquinas para nos manter escravizados e sem ciência do que realmente está acontecendo.

Realidade Virtual

As pessoas plugadas à Matrix parecem estar levando vidas normais, com seus relacionamentos, trabalhos, enfim, suas rotinas. Mas, na verdade, estão dentro de uma simulação, dormindo dentro de casulos e tendo a sua energia drenada pelas máquinas.

Dentro da Matrix, neste “mundo dos sonhos”, é que encontramos os nossos heróis. O escolhido salvador da humanidade, Thomas A. Anderson, ou simplesmente Neo, vivido pelo ator Keanu Reeves, e os hackers Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss). Essa “santíssima trindade” vai enfrentar vários desafios dentro da Matrix, principalmente um agente chamado Smith (Hugo Heaving), que tem a missão de eliminar esses intrusos (ou “bugs”) da Matrix.

Acompanhamos a rotina entediante de Neo, perdido, sentindo-se como em Alice no país das maravilhas, depois seguindo o coelho branco, encontrando Trinity e fazendo a escolha que Morpheus propõe (a pílula azul ou a pílula vermelha). É essa escolha que o faz “despertar” da Matrix e renascer no mundo real. Um mundo real pós-apocalíptico em ruínas, no qual só restou uma cidade humana, Zion, com humanos não plugados à Matrix, ou seja, livres.

Publicidade

Em sua jornada, Neo passa por uma série de treinamentos virtuais, simulando condições que poderá encontrar na Matrix. Em uma dessas sessões de treinamento acompanhamos uma luta de kung fu, sensacional e muito bem coreografada, entre Neo e Morpheus.

Além disso, há o encontro com o Oráculo (Gloria Foster), uma espécie de guia para os humanos que “despertaram” da Matrix e que agora são livres e cientes do sistema opressor das máquinas. O Oráculo mais questiona Neo do que lhe dá respostas. Sobre decisões importantes que o escolhido terá de fazer.

O Oráculo até tem em seu templo – na verdade um modesto apartamento – um portal com a frase “conhece-te a ti mesmo” em latim (referência a Sócrates, não o jogador de futebol, mas sim o filósofo grego). E o resto do filme você já sabe. Se não sabe, vá assistir.

Um filme de ação que faz pensar

Matrix foi um filme que marcou época, pois juntou vários elementos em uma obra só, coesa e coerente (tirando a parte da entropia, claro). Um grande filme de ação que faz pensar, uma obra de ficção científica que questiona a essência do que é ser humano e a nossa compreensão da realidade.

Tudo isso utilizando-se, por exemplo, de cenas captadas por várias câmeras posicionadas em múltiplos ângulos e depois reproduzidas em câmera lenta (efeito bullet time), que se tornaram figurinhas batidas e até zoadas em outras produções cinematográficas.

Também temos aí atores que não usaram dublês em cenas de luta (sim, Keanu Reeves treinou kung fu de verdade) e um ritmo de desenvolvimento da trama bem envolvente. Todos esses elementos influenciaram muito os filmes de ação que vieram depois de Matrix.

Matrix, o filme original de 1999, acabou rendendo duas sequências lançadas nos cinemas, ambas em 2003: Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. Sem falar em jogos para videogame e um especial de nove histórias em curta-metragem de animação com o sugestivo nome Animatrix (recomendo!).

E, agora, Matrix Resurrections, o mais novo título da franquia.

Muito mais que um filme de “tiro, porrada e bomba” cheio de efeitos especiais e com referências a literatura e filosofia, Matrix faz o espectador refletir sobre as fronteiras entre fantasia e realidade, entre o sistema controlador em que vivemos e a nossa noção de livre-arbítrio. Sem dúvida, um dos melhores filmes de ficção científica a que já assisti.

Se você ainda não assistiu a Matrix, siga o coelho branco, escolha a pílula vermelha e viaje nesse mundo fantástico.

Publicidade

Produtos relacionados a ‘Matrix’

Box da trilogia ‘Matrix’ em Ultra HD e Full HD

The Ultimate Matrix Collection

The Ultimate Matrix Collection

Clique aqui para comprar!

Coleção Definitiva de ‘Matrix’ em DVD

Coleção Definitiva Matrix (The Ultimate Matrix Collection)

Coleção Definitiva Matrix (The Ultimate Matrix Collection)

Clique aqui para comprar!

Livro ‘Alice no País das Maravilhas’

Alice no País das Maravilhas (Classic Edition)

Alice no País das Maravilhas (Classic Edition)

Clique aqui para comprar!

Adquirindo algum dos produtos de Matrix pelos nossos links, o Coffee Breaking pode receber uma comissão. Assim você nos ajuda a continuar criando mais conteúdo! Importante frisar que os estoques podem sofrer alterações depois da publicação desta matéria, já que estão sujeitos a disponibilidade e funcionamento das lojas.

Continue Reading
Publicidade
Ver Comentários