Foram encontrados, pela primeira vez, em Piraí do Sul, na região dos Campos Gerais do Paraná, registros rupestres de araucárias. De acordo com matéria da Agência Estadual de Notícias do Paraná, foram identificadas representações de 13 araucárias e 20 antropomorfos (representações humanas).
O achado, que pode ser um marco da arqueologia, foi feito no interior de uma caverna em setembro de 2021, pelo Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (Gupe), formado por pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Foi a primeira vez que pesquisadores encontraram a representação da araucária, cujo nome científico é Araucaria angustifolia, um dos símbolos do Paraná, registrada como pintura rupestre. O resultado do estudo foi publicado em fevereiro de 2023, por meio de artigo Primeiro registro de arte rupestre com representações de Araucaria angustifolia, Sul do Brasil.
Os investigadores identificaram que o painel pode ter sido elaborado pelos povos nativos Macro-Jê, antepassados de comunidades indígenas presentes atualmente no sul do Brasil. O painel está localizado a 1.130 metros de altitude, próximo a um afluente do rio Piraí-Mirim.

Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas descobriu registro rupestre inédito de araucárias (UEPG/Divulgação)
A araucária é considerada uma árvore de vida longa, podendo viver de 200 a 300 anos e chegar a 50 metros de altura. Devido à exploração indiscriminada da madeira e ao manejo inadequado, a espécie está ameaçada de extinção.
Tentando reverter esse cenário, existem leis que proíbem os cortes dessas árvores e preveem multas aos infratores, da mesma forma para quem, fora da época apropriada, colher os pinhões, que são as sementes comestíveis da araucária.
Estudos apontam que a família das araucárias pertence a um grupo de pinheiros considerado um dos mais antigos do planeta e que as folhas dela podem ter servido, inclusive, de alimento para dinossauros herbívoros.
O painel de araucárias descoberto, elaborado em superfície de arenitos, pode ter até 4 mil anos de idade. Com a descoberta dos registros rupestres da espécie, e sua respectiva divulgação via artigo científico, a expectativa dos pesquisadores é que isso sirva como incentivo para novas pesquisas.