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Júpiter Maçã | Cinco décadas e um lustro do efervescente Flávio Basso

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Júpiter Maçã | Cinco décadas e um lustro do efervescente Flávio Basso

Em 26 de janeiro de 1968 – há 55 anos – nascia Flávio Basso, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Mais conhecido por seu nome artístico, Júpiter Maçã (ou Júpiter Apple ou, ainda, Woody Apple), viria a se tornar referência essencial do rock gaúcho e um dos ícones da psicodelia no rock brasileiro.

Lá se vão, portanto, cinco décadas e um lustro de nascimento do artista que rompeu a membrana do mainstream algumas vezes, mas que acabou por se estabelecer (ora cultuado, ora esquecido) no topo do universo underground do rock brasileiro, mais particularmente do rock feito no Sul.

Musicalmente, tudo começou aos 13 anos quando, de forma autodidata, o menino Flávio aprendeu a tocar violão. Poucos anos depois, em 1984, com o amigo Charles Master, fundaria a banda TNT, que apareceu com duas faixas na coletânea Rock Grande do Sul (1985), ao lado das bandas DeFalla, Garotos da Rua, Os Replicantes e Engenheiros do Hawaii.

O rockabilly adolescente do TNT rendeu canções como as divertidas e Estou na Mão e Entra Nessa, que passaram, então, a tocar nas rádios FM do Sul do Brasil.

Flávio Basso (esquerda) com Os Cascavelletes no Teatro Renascença (Divulgação/Reprodução)

Flávio Basso (esquerda) com Os Cascavelletes no Teatro Renascença (Divulgação/Reprodução)

No entanto, antes mesmo de gravar um primeiro álbum, Basso e o guitarrista Nei Van Soria deixam o TNT para fundar Os Cascavelletes, banda formada em 1986 que contava, ainda, com Frank Jorge (baixo) e Alexandre Barea (bateria). Com um estilo irreverente, batizado de porno rock, chegaram a ter o hit Nega Bombom na trilha sonora da novela Top Model (1989).

Foi nessa época que Os Cascavelletes se apresentaram em um programa direcionado ao público infantil, e a apresentadora Angélica pergunta qual música eles acabavam de interpretar. Ao que Flávio Basso responde: “É ‘Eu Quis Comer Você’ o nome da música”. Algo quase inimaginável hoje em dia, sob a vigilância do politicamente correto.

O fato é que ambos os grupos – TNT e Os Cascavelletes – se tornariam referência do rock gaúcho, influenciando gerações de bandas dos anos 1980 em diante. E isso apesar das vidas curtas. Os Cascavelletes se dissolveram em 1991, mas Júpiter Maçã logo retornaria à cena roqueira com o lançamento do álbum Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuiz (1995).

O reconhecimento nacional em carreira solo, porém, viria com A Sétima Efervescência (1997), cultuado álbum de estreia de Flávio Basso, com um som influenciado por música psicodélica da década de 1960, sobretudo dos Beatles e de Syd Barrett do Pink Floyd. O trabalho traz canções como Um Lugar do Caralho, Walter Victor e Miss Lexotan 6 mg Garota.

A originalidade renderia ao disco um notável sucesso, fazendo-o figurar, inclusive, na lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. Mas Júpiter Maçã não pararia por aí. Logo daria à luz Plastic Soda (1999), álbum que renderia o prêmio de melhor compositor daquele ano pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Júpiter Maçã em um dos últimos registros fotográficos (Divulgação/Reprodução)

Júpiter Maçã em um dos últimos registros fotográficos (Divulgação/Reprodução)

Depois, viriam outros dois trabalhos de estúdio. Hisscivilization (2002) e Uma Tarde na Fruteira (2007), este o quarto e último, em que o artista retorna à psicodelia de seu bem-sucedido álbum de estreia. Há, também, um álbum ao vivo, Six Colours Frenesi (2014).

Duas faixas de Uma Tarde na Fruteira ganharam videoclipes: A Marchinha Psicótica de Dr. Soup e Mademoiselle Marchand. Em um relançamento de 2008, o álbum traz a ótima canção Beatle George, que escancara uma das principais influências de Júpiter.

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Além dos LPs, ele lançou uma série de singles e EPs, maneira pela qual passou a dar vazão às suas composições, sobretudo a partir dos anos 2000. Dentre esses lançamentos está a canção Modern Kid (2009), composta em parceria com Luiz Thunderbird e que ganhou também um videoclipe oficial.

Em 21 de dezembro de 2015, às vésperas de completar 48 anos, a sucessão de ideias criativas de Júpiter Apple chegaria ao fim. Ele foi encontrado caído no banheiro de sua residência. Na ocasião, o serviço de emergência foi chamado, mas não houve tempo para levá-lo ao hospital. Com a saúde já fragilizada, não resistiu a um ataque fulminante do miocárdio.

Postumamente, foram lançados dois álbuns: The Apartment Jazz (2021) e The Man Was (2022). Em setembro de 2016 foi lançado o livro A Odisseia: Memórias e Devaneios de Jupiter Apple, uma autobiografia ficcional que Júpiter, a partir de 2014, escrevera com o também músico Juli Manzi.

Em termos de retrato biográfico, destaca-se Júpiter Maçã: a Efervescente Vida & Obra, obra escrita pelos jornalistas Cristiano Bastos e Pedro Brandt e lançada em 2018. Em 2021, o livro ganha uma segunda edição pela Nova Carne Livros, com mais histórias, fotos e um posfácio inédito.

A publicação é uma justa homenagem e registra a vida e o legado daquele menino que queria cantar como o Beatle George e foi parar na galeria de imortais do rock, sempre visitada e revisitada por apaixonados pelo gênero.

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